sexta-feira, 17 de julho de 2015

Resenha *O Lado Mais Sombrio*

Alyssa não é qualquer pessoa, ela é tataraneta de Alice, a mesma Alice de Lewis Carroll, o autor de Alice no País das Maravilhas. Sua arvore genealógica sempre a atormentou, tanto por causa dos apelidos e brincadeiras envolvendo a obra pelos quais ela tinha que passar, quanto pelas vozes de plantas e animais que tinha de ouvir. Além disso, a garota também temia sobre seu futuro: acabar em um manicômio, igual a sua mãe. 



Essa história pode facilmente não levantar expectativas; ao pegar o livro não esperava mais do que uma narrativa estilo "Por trás de Alice" ou "A verdade sobre Alice no País das Maravilhas", nada distinto de creepypastas mal pesquisadas feitas por internautas, mas pensamentos assim são somente enganos.




O trabalho de A.G. Howard
A escrita da autora é bem equilibrada, pesada e bastante descritiva quando necessário, leve e envolvente em boas hora; ela conseguiu reescrever a história de uma forma que não fosse tão repetitiva, reinventando um pouco e trazendo uma visão interessante sobre a terra de Carroll. Entretanto o cenário do País das Maravilhas não se destoa tanto dos "contos macabros sobre a verdade de Alice", a descrição do coelho, do Chapeleiro, do gato de Cheshire e de outros personagens, assim como o local em si me surpreendeu um pouco, pelo fato de A.G. ter tido boa desenvoltura ao escolher as palavras, mas não foram fisionomias inesperadas. 



A história





Do inicio ao meio a narrativa foi muito envolvente, levemente surpreendente, e muito divertida, houveram várias coisas inesperadas, como a companhia de Jeb e o aparecimento de um personagem muito importante: Morfeu. Além de vários acontecimentos e detalhes que não se encontram em Alice no País das Maravilhas. O seu climax se encontra bem no fim do livro, e a autora conseguiu fazer a história mudar completamente com seu final, além de inovar com relação ao mesmo. Em suma, é uma narrativa muito divertida e um livro muito confortável e interessante de se ler, que consegue te prender e te dar uma leitura relaxante. 










Os personagens
A personagem principal não sai daquele parâmetro "pessoa que foi escolhida pra ser um grande alguém mas que sofreu por ser isso", mesmo assim Alyssa consegue se impor; de inicio ela pode ser considerada um tanto chata, por ser muito fraca e introvertida, porém sua situação pode ser facilmente entendida com um pouco de empatia, fazendo com que seja fácil se envolver tanto no inicio quanto com o desenvolvimento dela. Jeb, seu antigo amigo (vulgo secreto amor) foi um personagem um tanto meio termo: sua participação não poderia ter sido dispensada, mesmo assim ele insistia por ser um personagem que se aproximava do segundo plano, tendo um caráter "vou salvar a princesa", enquanto era facilmente levado por um personagem muito importante: Morfeu, a presença desse inseto (sentido literal) causa amor e ódio, foi uma figura crucial para a narrativa como um todo, contudo seu desenvolvimento e personalidade podem ser comparados a um anti herói. Outros personagens, como Cheshire, o coelho, a Rainha Vermelha, o Chapeleiro, aparecem pouco, mas marcam bastante sua presença, seja pela aparência quanto pela importância. 


A edição, pela Novo Conceito dispensa palavras, as páginas e aberturas de capítulos são lindos, a capa é uma das poucas que marcam mesmo contendo pessoas.


Em resumo: é um livro muito amorzinho para se ler



segunda-feira, 6 de julho de 2015

Resenha *Revolução dos Bichos*

Aviso: Esse post possui spoilers, para uma resenha "limpa", visite o Pequenas Grandes Impressões no instagram


Após ouvir o discurso e cantar "Bichos da Inglaterra" com o velho porco Major, os bichos da Fazenda do Solar se dão conta da grande injustiça que passam com os humanos, o trabalho de suas patas são para os homens, a ração que recebem é miserável e as sementes que produzem vão em grande parte para os homens, para no fim serem abatidos sem piedade por homens. Por fim se inicia, de repente, a revolução dos bichos, onde os animais expulsam o dono da fazenda e viram os regentes do lugar, seguindo as 7 leis do Animalismo.
Ao ler com olhos de criança a história pode ser divertida e imaginativa, mas não se engane, o buraco é mais em baixo:









                                                       * A influência *


Vladimir Ilitch Lênin- Importante revolucionário marxista, foi preso em 1895 por participar de movimentos que propagavam as idéias de Karl Marx a trabalhadores de fábricas; combatia os populistas e liderou o Partido Bolchevique, que pregava a revolução mais radical para obter mudanças, responsável por boa parte da realização da Revolução Russa de 1917, assumiu o governo e implantou o socialismo. Morreu em 21 de janeiro de 1924, por uma doença. Foi uma figura que influenciou teoricamente todos os partidos comunistas.

                                                    
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Major- Em uma noite na fazenda, o velho respeitador porco Major chama todo os animais para transmitir suas idéias, onde deseja dias melhores para os animais, que trabalham laboriosamente para os humanos, enquanto esses retribuem de forma quase inexistente. Explica o Animalismo e usa a canção "Bichos da Inglaterra" para incitar a revolta nos animais trabalhadores. Acabou morrendo no dia seguinte a está noite.
                  
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Major, assim como Lênin, foi uma forte e decisiva influência na revolução, defendia os trabalhadores, ambos apresentando discursos alusivos a Karl Marx e ao socialismo. 
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                                                   *Um principal líder* 

Leon Trotsky- Marxista, escritor e revolucionário bolchevique, Leon Trotsky foi um dos principais lideres da Revolução de Outubro de 1917, que derrubou a monarquia na Rússia. Criou o Exercito Vermelho e foi preso várias vezes; liderou junto com Lênin para obter vitória contra a ofensiva militar. Morreu em 21 de agosto de 1940, em Coyoacan.     
   
        
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Bola-de-Neve- Para não deixar a ideia de revolução esfriar, dois porcos tomam a liderança após a morte de Major: Bola-de-Neve e Napoleão. Assim como o velho respeitado porco, Snowball era idealista; após a expulsão bem sucedida de Jones e seus empregados ele mesmo escreveu nas paredes do celeiro os 7 mandamentos do Animalismo, alterou o nome da Granja do Solar para Granja dos Bicos e instituiu aulas de leitura e escrita para todos os animais*. Fugiu da fazendo após ser perseguido e nunca mais foi visto.
 
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  Bola-de-Neve, assim como Trotsky, tinha enorme crença em suas convicções e   ambos foram perseguidos por seguir a risca os ideais marxistas, tiveram enorme importância para a revolução e eram grandes idealistas
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                                                         *O ditador*

Josef Stalin- Concordava com as ideologias marxistas, entrou para o Partido Social Democrata e tornou-se o braço direito e Lênin. Acreditava que a revolução deveria ser somente feita na Rússia, sem expandi-lá para outros países, enquanto Trotsky defendia à ideia contraria; após a morte de Vladimir, os dois pensamentos entraram em conflito e o partido acabou escolhendo a ideia de Stalin, assumindo o poder da União Soviética. Com um governo rigoroso, foi apelidado de ditador e seu mandato foi nomeado de "stalinismo", tornou a Rússia uma das potencias mais poderosa e fez alianças militares após o fim da 2º guerra. Passou a matar todos os que fossem possíveis ameaças a sua liderança; Leon Trotsky-que virou grande critico do governo-foi morto a machadas por ordens de Josef



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Napoleão-Junto com Bola-de-Neve, assumiu após a morte de Major. Não tinha grande habilidade em discursar, por isso acabava em desvantagem com relação a Snowball, ambos sempre discordavam em ideias, mesmo elas tendo a mesma base, o Animalismo. Criou filhotes de cachorrinho para serem seus guarda-costas, ordenando que eles "expulsassem" Bola-de-Neve da fazendo. Após "ganhar" o total poder, começou a dificultar a vida dos outros animais, usa Garganta-que conseguia facilmente convencer com palavras- para fazer os animais acreditarem de que todas as ações de Napoleão são pelo bem da fazendo, deu privilégio aos porcos, e, por fim, fez aliança com humanos.


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Assim como Stalin, Napoleão marcou com um caráter ditador marxista, até por fim se desvincular de seus ideias, em um ponto onde não se sabia mais quem era o animal e quem era o humano 
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Um livro bobo em primeiro momento, mas muito profundo para quem consegue ver que os animais da fazendo não são somente animais, e sim, somos nós.










Resenha *Fale!*




"Melinda é uma garota comum" isso parece cliché, porém -e antes que comecem a pegar os paus e pedras haterianos, aviso que isso não é um spoiler- ela foi estuprada, assustada com a situação a garota não delata o ocorrido a ninguém. Há instabilidade em sua família e por um mal entendido suas amigas a ignoram; violada fisicamente e ferida psicologicamente, a personagem começa a se fechar em seu próprio mundo e a necessidade de falar começa a desaparecer. Aos poucos, ela sente dor em sua mandíbula e incomodo na garganta, a quietude psicológica começa a virar uma mudez física.













Mesmo Melinda sendo uma garota o desenrolar da obra à torna 'unissex', a linguagem é fácil e fluente; acabamos virando Mel, sentimos agonia, dor, tristeza e solidão junto com ela, e mesmo assim a obra não tenta ser dramática. 


Ultimamente esse tipo de violência vem ganhando (finalmente) voz, porém muitos desvirtuam o assunto e focam em ir contra dizendo pérolas como: "estuprar seria um favor" "o estuprador também é vitima" e (possuem coragem a ponto de dizer) "estavam dando a chance". A questão não é quem, quantidade ou "por que", o problema é: "OTROÇO é real" e ficar tirando o foco do ocorrido tentando achar motivos ou desculpas é ignorância, desumano e imperdoável.



















Fale! não é ficção, isso é real, a mudez é verdadeira, Melindas existem; após a leitura, mesmo sem gostar da escrita, do desenrolar ou das personagens, o leitor sai com outra visão desse ato, estando mais habituado ao lado da vitima e de tudo que pode ocorrer com quem sofre essa violação.






















               Portanto a reação, literal ou emocional, do termino desse livro é a mesma: 

                                                     "Eu: aos prantos".

quarta-feira, 13 de maio de 2015

O que é Literatura?

50 anos de carreira ganham menos destaque



“Isto não é literatura, isto é uma bobagem. É moda, vai passar. Criança deve ler tudo o que tem vontade, o que gosta, mas eu sei que não é bom. Esta literatura com bruxas é artificial, para seguir o modismo. Acho que o Harry Potter fez sucesso e está todo mundo indo atrás“ 









Essa frase dita por ninguém menos que Ruth Rocha chamou mais atenção do que os próprios 50 anos de carreira da autora. Ignorando o fato da escritora estar meio perdida no tempo e HP ser um "modismo" com motivo para o sucesso de mais ou menos 20 anos, o significado de literatura -dado por Ruth- não deve ser ignorado:
"O que eu acho que é literatura é uma expressão do autor, da sua alma, das suas crenças, e cria uma coisa nova"

A palavra latina litteratura (derivada de littera, que significa letra) originou a já conhecida literatura, que significa “a arte de escrever", sendo essencialmente, a metodologia de ler e escrever de forma correta. O dicionário Michaelis traz o seguinte excerto sobre o significado: 1.Arte de compor escritos, em prosa ou em verso, de acordo com princípios teóricos ou práticos.
Outros dicionários mostram a definição: 1.Atividade humana , criadora ,que utiliza a linguagem e a língua para fins não somente de comunicação, mas também para fins estéticos e de cultura.


Assim como o teatro, a pintura, a música, a literatura é considerada uma arte, porém ela vai muito além de simplesmente escrever ou se comunicar. Não pode ser só resumida como uma amostra das mudanças do comportamento humano durante os séculos ou somente algo que demonstra as marcas de um movimento como dizem certos dicionários. 


Da mesma maneira que o convívio social nos molda em um caráter e estabelecemos nossos gostos por experimentar novas coisas e novas mídias, a literatura se faz presente em nos esculpir como seres humanos. 


Literatura boa ou ruim? Assim como os gostos, delimitar se algo é bom ou ruim é pessoal. No fim, tanto para o escritor quanto para o leitor, a função é a mesma: 

                        A literatura nos ajudam a compreender nós mesmos.


Em resumo, é um estudo. O autor avaliou o que queria passar, várias e várias vezes repensou no que escrever, e repensou enquanto escrevia, assim como o leitor leu e adquiriu algo de útil para si próprio; o significado de literatura é simples assim.


Porém o preconceito literário, bem expresso no comentário de Ruth Rocha, também se faz muito presente, e assim como outros, pode ser vencido quando o preconceituoso escolhe por deixar a ignorância de lado, buscando conhecer antes de falar sem saber, no caso da nossa querida autora infantil, ler antes de criticar. 


sábado, 25 de abril de 2015

Resenha *A Menina que Roubava Livros*

A obra traz outros olhos sobre a 2º Guerra Mundial, não somente olhos de criança, como mostra o ocorrido pelos olhos de um privilegiado pela ideologia da época, por uma criança com uma família adotiva alemã aparentemente nazista.

Vemos a morte cruzar com Liesel logo de inicio, com o falecimento do irmão menor da garota. Junto ao acontecido temos também o primeiro roubo, O Manual do Coveiro foi o alvo. A menina é levada para uma família adotiva, Hubermanns, e lá a história desenrola.
Conhecemos os vizinhos da rua Himmel(que ironicamente significa céu), onde cada morador é uma caricatura dos pensamentos da época, com comportamentos opostos, desde nazismo extremo até imitar um negro famoso.
A história se concentra, inicialmente, em Liesel e seu pai, Hans Hubermann, contudo o desenrolar faz com que nos apaixonemos por outros personagens, como a mãe adotiva Rosa Hubermann, o pequeno Rudy que quer ganhar um beijo da roubadora de livros, o judeu Max e até mesmo a esposa do prefeito.











Há algumas pinceladas de palavras eruditas, porém a leitura pode ser tida como fluente.
Contudo o livro é muito "enche linguiça" e seria facilmente encurtado para 350 páginas, há dramatização demais onde é desnecessário. O conteúdo referente a 2º Guerra é superficial e comum a todos, mal aprofundado e boa parte das informações se contém nos capítulos onde a Morte fala um pouco sobre "seu trabalho". Liesel é uma garota jovem, a Morte-que pouco mostrou vontade de falar sobre toda atrocidade que via- conta a história com base no livro da menina, juntamente com as vezes que cruzou com ela; a carência de informação seria coerência ou pobreza?















Gosto de ter em mente que seja para coerência dos fatos, a pouca informação se dá pela pouca informação que a menina recebe. O único real convívio que ela possui com a ideologia de Hitler se da graças a Max e a conversas que ouve; a garota passa por várias situações, porém termina o livro com escassez de conteúdo. Caso esteja enganada, lamento pelo texto de conhecimento comum, senti falta da realidade da guerra, de mostrar outros povos que também sofriam em campos de concentração, de mostrar o sofrimento real que as tropas passavam e os verdadeiros efeitos do nazismo; até mesmo eventos cruciais, como a guerra do Stalingrado, foram somente citados uma vez durante o livro.














A narrativa, entretanto, se destaca em algumas críticas pesadas, chegando até mesmo a abordar a principal arma que Hitler usava, e que a roubadora amava: as palavras. O final é previsível, graças a grande narradora que logo de inicio já diz o que irá acontecer com o "céu" dos moradores.
Ao todo não chega perto de ser uma leitura ruim, nem mesmo uma mediana, fundamental para aqueles que conhecem pouco sobre a 2° Guerra e querem ler uma iniciação do assunto.